À Secretaria de Estado da Saúde, aos amigos e familiares do Dr. Barradas

Que parem os relógios, cale o telefone,
emudeça o piano…
W. Auden

 Toda despedida é dura; difícil. Acostumados com a grandeza da vida e do universo nunca queremos nos lembrar que a vida é finita dentro da sua infinita grandiosidade, ainda que no plano individual ela se esvaia quando menos se espera. E ficamos nós perplexos na nossa dor e no luto da ausência. Foi assim no dia 17 de julho. Do susto da noticia à dor da sua verdade. Da revolta de perder um amigo à consolação de sua história de vida. Eu e a Fundação Síndrome de Down nos sentimos em luto. O luto da perda de um amigo; de um lutador pela saúde pública brasileira; de um homem de sensibilidade e grandeza que atuava de maneira discreta, inquieta e tenaz. Parecia duro muitas vezes. Talvez para esconder a sensibilidade que muitas vezes não gostamos de deixar transparecer em gestos sociais. Avesso à badalação, acreditava na ação. Gostava de fazer. Por anos a fio apoiou a Fundação Síndrome de Down sem nunca ter querido receber uma homenagem sequer, sempre acreditando na seriedade dos serviços que a sociedade pode realizar em prol do interesse público.

Deixa o legado do amor à família, aos amigos e a sua explícita paixão pela saúde pública, conforme escreveu na Folha de S.Paulo recentemente. A minha amizade e gratidão pessoal e a de todos que trabalham e usam os serviços da Fundação Síndrome de Down. Não nos veremos mais nessa dimensão humana; mas quem sabe em outra dimensão cósmica somos estrelas que continuamos a brilhar.