Diagnostico dual em pessoas com Síndrome de Down

Dr. Ramón Novel l Alsina

 Psiquiatra
 Chefe do serviço de psiquiatria e deficiência intelectual
Parque Hospitalario Martí Juliá Instituto de Assistência Sanitária, Girona/Espanha
O diagnostico dual em pessoas com síndrome de Down 
As pessoas com deficiência intelectual, incluindo aquelas com SD, têm maiores chances de desenvolverem doenças mentais do às pessoas sem deficiência intelectual. No entanto, paradoxalmente a saúde mental destas pessoas não esta sendo atendida.
O Efeito Eclipsador da deficiência intelectual
Para esta terminologia, os autores referem-se ao fenômeno pelo qual os sintomas psiquiátricos passam despercebidos quando você tem deficiência intelectual. Embora tenham mais transtornos psiquiátricos. De fato a partir de meados do século XX que começou a reconhecer a saúde mental das pessoas com deficiência intelectual, até então não se considerava que pessoa com síndrome de Down poderia ter, por exemplo, uma depressão ou um transtorno obsessivo, simplesmente “tinha síndrome de Down.”
Muito desta situação se deve ao efeito eclipsador. Como dizíamos se trata de um erro muito freqüente entre os profissionais e família, entende-se que qualquer característica psicológica deve-se a SD. Assim se a pessoas chora desconsoladamente justifica que é a deficiência (quando podemos estar frente a uma depressão), ou se ouve vozes será “porque tem deficiência intelectual”, (quando podemos estar frente a uma esquizofrenia) e assim qualquer sintoma da doença mental. Desta forma, o desconforto das pessoas com deficiência intelectual, que poderia receber um tratamento adequado, acaba desatendido conseqüentemente seu sofrimento.
É por isso que devemos estar atento a qualquer sinal de desconforto. Alterações no sono, apetite, humor, sociabilidade, nada deve ser negligenciado, depositando ao fato de que “meu filho tem síndrome de Down”. Pelo contrário, temos que manter nossos olhos abertos para qualquer pessoa, com ou sem deficiência, todos podem sofrer de uma doença mental. E, além disso, as pessoas com deficiência intelectual têm mais dificuldade em reconhecer o que está acontecendo com ela e se comunicar, portanto nosso papel é ainda mais essencial.
Diagnosticar adequadamente um transtorno mental em pessoas com SD/deficiência intelectual é mais difícil, devido ao efeito eclipsador que ofusca, mas também porque os sintomas muitas vezes manifestam de forma diferente que estamos acostumados.
A doença mental se manifesta de acordo com seu nível intelectual, suas habilidades de comunicação, e seu funcionamento físico e social, e suas influencias culturais.
De um modo geral, podemos dizer que os sintomas dos transtornos psiquiátricos nas pessoas com deficiência intelectual leve ou moderada, que possuem boa capacidade de comunicação, são semelhantes aos encontrados entre as pessoas sem deficiência intelectual.
Á medida que aumenta o comprometimento cognitivo, os sintomas começam a ser mais difusos e menos elaborados, de modo geral as mudanças de comportamento (alterações de sono, apetite, humor e conduta agressiva).
Recentemente estudos publicados indicam que as pessoas com SD têm maior probabilidade de manifestar os transtornos de humor, obsessivos e demência, comparando com outras pessoas com deficiência intelectual de diferente origem incluso sobre a população geral. Por outro lado aparecem transtornos psicóticos refratários.
Esta apresentação tem como objetivo rever os diagnósticos das doenças mentais em pessoas com SD, e as principais diferenças dos sintomas “normais” em pessoas sem deficiência.
Tradução: Luciana Mello – Psicóloga