O Modelo Social na Fundação Síndrome de Down

A equipe multidisciplinar da Fundação Síndrome de Down, ao longo dos anos, tem buscado trabalhar de acordo com o Modelo Social. Este Modelo foi criado por pessoas com diferentes características como ter síndrome de Down, paralisia cerebral, cegueira, baixa visão, perda auditiva, entre outras.

Uma “pessoa com deficiência” é aquela que tem uma destas características. Quando se define quem “tem uma deficiência”, se define também quem é “normal”. Assim sendo, tanto a “pessoa com deficiência” quanto a “pessoa normal” são o resultado de algumas construções sociais e culturais, nas quais categorias são criadas para que todos encontrem um “nós a quem pertencer”.

Aqueles que criaram o Modelo Social nos alertam para o fato de que uma pessoa chamada “com deficiência”, porque tem síndrome de Down, por exemplo, tem um cromossomo 21 a mais, portanto, ela não hospeda “uma deficiência”, mas sim, um cromossomo a mais. Onde se localiza “a deficiência” no Modelo Social? Nas inúmeras situações que discriminam, excluem e desfavorecem as pessoas que atendemos.

No Modelo Social identificamos quais barreiras estão dificultando ou impedindo uma pessoa de se desenvolver e de participar das diferentes cenas sociais de acordo com as suas reais possibilidades. Neste Modelo, “a deficiência” está na situação e não na pessoa. Diante disso temos chamado aqueles que atendemos de “pessoa em situação de deficiência” e não de “pessoa com deficiência”. Desejamos que a sociedade assuma essa “deficiência” que vem sendo criada, dentre muitos fatores, pela falta de acessibilidade. Desejamos que as pessoas que atendemos não mais tenham de se responsabilizar por “falhas” e “limites” que são da sociedade.

No Planejamento realizado pela nossa equipe multidisciplinar no mês de dezembro de 2017 dialogamos, refletimos, problematizamos nossas práticas, num exercício profundo e maduro que considerou cada colocação feita pelas famílias e pessoas que atendemos na Fundação em mais este ano de trabalho. Identificamos algumas lacunas em nossas ações e redirecionamos algumas delas. O que pretendemos? Seguir trabalhando para que toda e qualquer barreira identificada no atendimento de uma pessoa que vive situações de deficiência seja eliminada.