Projeto moradia é o futuro

O caráter pioneiro da Fundação Síndrome de Down surgiu para oferecer aos filhos de um grupo de pais um espaço educacional e terapêutico integrado, em que o individuo fosse considerado em sua totalidade. Um dos principais objetivos é o desenvolvimento das possibilidades e potencialidades das pessoas com deficiência intelectual que foi reforçado pela Convenção Internacional das Nações Unidas sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, da qual o Brasil é signatário desde 2008.

É preciso ter os direitos das pessoas com deficiência intelectual reconhecidos e uma inclusão social mais plena, para que na fase adulta tenham mais independência em suas necessidades de trabalho, de relacionamento e de vida. O projeto que a Fundação vem preparando para implantar incentivando esse processo é o da moradia independente, em que os usuários se sintam mais preparados para irem morar sozinhos ou com outra pessoa. “É preciso um apoio mútuo e a Fundação está pronta para isso, para colaborarmos dentro das condições que cada um tem, seja financeira ou de autonomia. A nossa preocupação veio crescendo ao longo desses anos e fomos aprendendo juntos como ajudar a desenvolver a independência, é um aprendizado para todos e a fórmula não está pronta”, avalia o presidente da entidade, Claudio José Nascimento de Oliveira.

Para a Mostra 2019 foram montadas três residências: uma casa, um loft e um apartamento. O loft ficará como legado para a Fundação e funcionará como uma oficina de vivência para as pessoas com Síndrome de Down. “A ideia de ter o espaço de vivência é usá-lo depois para intensificar o trabalho de autonomia e independência que nós já fazemos”, completa o presidente. Também destaca a importância de futuros projetos que atuem no envelhecimento precoce das pessoas com SD.

Existe o mito que a Síndrome de Down é uma doença, o que não é verdade. Trata-se de uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais, o par 21, também é conhecida por trissomia do cromossomo 21. Foi descoberta em 1866 por John Langdon Down, na Inglaterra. O diagnóstico se realiza com um estudo cromossômico (cariótipo) e a primeira análise ocorreu em 1958 por Jerome Lejeune.

Como a SD é uma alteração cromossômica, é possível realizar um diagnóstico pré-natal utilizando os exames clínicos amniocentese ou biópsia do vilo corial. O exame bioquímico avalia os níveis de substâncias químicas no sangue materno alterados no caso da SD. A ultrassonografia também pode colaborar para detectar a SD. Porém, estas últimas intervenções não são consideradas diagnósticas.

Para reforçar o desenvolvimento e a busca pela identidade autônoma do indivíduo, a Fundação oferece serviços de apoio, eventos e projetos.

O projeto Território de Todos conta com apoio da FEAC e faz parte do Programa Mobilização para Autonomia da entidade para reduzir as barreiras e permitir o acesso à cidade, aos serviços públicos e à vida social, contribuindo para o exercício da cidadania no dia a dia. O projeto traz o diferencial do atendimento feito em casa o que melhora a vida dos assistidos e de suas famílias envolvendo também a rede pública de atendimento no entorno dessas pessoas. Iniciou em maio de 2018 com 30 assistidos e pretende começar 2020 ampliando para 100 pessoas atendidas com uma equipe multidisciplinar de 8 profissionais.

A partir de 1999, surge o projeto Recolocação Profissional de Pessoas com Deficiência Intelectual que trabalha a inclusão social e profissional dessas por meio do Programa Nacional de Atenção a Saúde da Pessoa com Deficiência – PRONAS. Ao longo de 20 anos são 260 profissionais inseridos no mercado de trabalho na Região Metropolitana de Campinas. Já o projeto Expansão e Melhoria do Serviço de Formação e Inclusão no Mercado de Trabalho (2015-2017) reforçou o serviço de Formação e Inserção no Mercado de Trabalho com processo de captação de vagas e candidatos.

A Fundação também oferece oficinas artísticas terapêuticas aos adultos no ateliê com o Projeto Ateliê Aberto que consiste na reforma do espaço e na ampliação do número de atividades e de atendimentos de 13 para 30 vagas. O principal objetivo é a busca de igualdade de oportunidades e desenvolve suas atividades conforme com a demanda de cada usuário e respeitando a capacidade cognitiva e motora. No 2º semestre de 2018 foram realizadas 140 oficinas, 03 visitas a espaços culturais, 01 exposição de trabalhos dos usuários, uma parceria com a Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas e o CIAPD (Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência da PUC-Campinas). Em 2019, foram realizadas oficinas de desenho e pintura, cerâmica, gravura e história da arte.

O projeto Diagnóstico Socioterritorial da População Assistida pela Fundação Síndrome de Down (2016-2017) mapeou o território usado pelos usuários com o objetivo de traçar perfis de mobilidade territorial das pessoas com deficiência na cidade de Campinas e Região Metropolitana. Com coleta e análise de dados, a Fundação buscou proporcionar melhorias em seu trabalho, potencializar a rede intersetorial e aumentar as possibilidades de acesso das pessoas com deficiência intelectual aos seus direitos.