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Deus não dá um dom pra cada um? A participação social na voz de pessoas com deficiência intelectual

A experiência da participação social na voz de pessoas com deficiência intelectual

“Eu sempre sonhei quando eu crescesse, um dia trabalhar, ser dono do meu próprio nariz”

Geison, 23 anos

Compreendida dentro da ótica da infantilização e incapacidade socialmente construída, a pessoa com deficiência intelectual, atualmente adulta, foi deslocada do lugar de participação social tendo os aspectos de sua vida como educação, trabalho, sexualidade, afetividade, etc. gerenciados pelas Instituições Especializadas. Em um momento de vitórias legais relacionadas aos direitos da pessoa com deficiência, esta palestra realizará a análise de três entrevistas de adultos com deficiência intelectual que passaram a maior parte de sua vida em instituições especializadas descrevendo suas relações com famílias, instituições especializadas, igreja, trabalho e comunidade. As entrevistas foram gravadas e estão disponíveis no site do Museu da Pessoa na coleção “Vidas além da deficiência”, criada pelo museu.

Palestrante: Agda Brigatto. Doutoranda em Saúde, Interdisciplinariedade e Reabilitação – FCM/Unicamp

Explorar habilidades com estímulos à criatividade

Ateliê de artes

Ateliê de Artes oferece experiência artística para pessoas com deficiência intelectual e síndrome de down

(Por Ariany Ferraz)

Os adultos com deficiência intelectual e síndrome de down enfrentam diversas limitações socialmente impostas. Uma delas é a inclusão relacionada ao acesso à bens e produções culturais. Para enriquecer repertórios e proporcionar vivências que gerem conhecimento artístico, cultural e social surge o projeto Ateliê de Artes’. A iniciativa integra o Serviço de Apoio a Vida Adulta da Fundação Síndrome de Down (FSD). Apoiado pela Fundação FEAC por meio do Programa Mobilização para Autonomia (MOB), o projeto tem como  objetivo promover a inclusão social, qualidade de vida, autonomia e desenvolvimento pessoal por meio da arte.

A arte abre caminhos para autoestima, confiança e autonomia. O contato com as diversas linguagens artísticas permite canalizar criativamente o potencial e as habilidades dos participantes.“Trazer a possibilidade de expressão às pessoas com deficiência, por meio do uso da arte, e aumentar seu repertório cultural são essenciais também para a construção da autonomia dos indivíduos”, comentou Regiane Fayan, líder do MOB.

Escultura e modelagem com argila, desenho, crochê, pintura acrílica, guache e tridimensional. Essa são algumas das modalidades artísticas disponibilizadas no ateliê. As oficinas são destinadas a jovens e adultos a partir dos 16 anos que sejam atendidos pela instituição. Atualmente são 15 participantes divididos em três grupos com frequência às   terças e quartas-feiras das 14h30 às 16h30e também na quarta das 9h30 às 11h30.

“É um movimento de entrar em contato com a subjetividade, com o olhar integral. É um espaço onde os usuários podem explorar seus mundos, ampliar o olhar artístico e repertórios”, afirma Ana Carolina de Freitas, coordenadora do projeto. Nas atividades são trabalhadas as potencialidades de organização de pensamento e das emoções a fim de facilitar a elaboração de sentimentos e sensações por meio das linguagens artísticas.

Com foco no desenvolvimento individual, o projeto tem um conteúdo referencial, sem ser inflexível. “É um lugar de escuta. Em primeiro lugar chegar com afeto antes da pedagogia. Eu não sou um professor regular que chega com uma aula específica e um conteúdo pronto. Estou aqui para receber a individualidade, entender as necessidades e o potencial de cada um”, pontuou Rodrigo Faria, arte educador.

Ele explica que os níveis de deficiência são variados e diferentes e que o repertório de cada pessoa influencia no que vai ser ensinado. Rodrigo conta que busca explorar o próprio universo da pessoa, porque existem referenciais artísticos que são pontos de partida para o trabalho a ser desenvolvido. “Geralmente eles têm familiaridade com o lápis de cor e começam pelo desenho, que é uma coisa que já fizeram na infância. É entender o repertório que cada pessoa traz e ir complementando, ensinando”, revelou. Ana Carolina completa, “É a importância da experiência e dos olhares que cada um traz”. Assim, os participantes ficam livres para escolherem e criarem à vontade, cada um no seu ritmo, contando com uma orientação individual.

Concentrada, Ivanete Goze, 53 anos, modela cuidadosamente um vaso de argila. No ateliê há três anos ela conta que se descobriu na arte, já fez pintura, desenho e agora está adorando fazer modelagem em argila. “Eu me sinto bem melhor mesmo! Estou aprendendo um monte de coisas novas”, contou.

As atividades auxiliam em aspectos cognitivos, psicomotores, de linguagem, afetividade, entre outros. “O desenho de um participante com mobilidade reduzida costuma ser contido e minucioso, que dá certo com a pintura de cubos, já que o material é pequeno e tem vários lados, o que exige um cuidado maior. Outros alunos que são mais agitados não conseguem. Outra participante que tem um perfil mais agitado e acelerado, por exemplo, prefere a pintura em grande formatos, em tela com colher e massa acrílica. Assim ela extravasa o que está sentindo!”, comentou Rodrigo.

Já Júlio César, 37 anos não gosta de desenhar, mas tem uma paixão especial: moda. Na turma ele traz um talento único, fazer crochê. “Gosto muito de arte. Meu sonho é ser estilista e modelo”, disse com cachecóis em mãos.

Apesar do espaço ser de muita liberdade, é possível trabalhar a questão de lidar com o novo, responsabilidade, regras e tarefas. “Eu avalio se eles conseguem realizar tarefas com autonomia para, por exemplo, buscar e guardar os materiais. Eles lidam muito com a frustração também, às vezes uma cor não saiu como deveria ou se revela uma mancha. E arte é isso, é lidar com o acaso e ir improvisando”, indicou o arte educador que também avalia a aptidão para encaminhamentos ao mercado de trabalho.

Mas não é só abstração em momentos individuais, existem também as atividades em grupo. O processo  é  natural para que todos se sintam à vontade e construam algo juntos. Assim, as oficinas permitem o estabelecimento de vínculos, além da qualificação do repertório cultural de todos graças a passeios e visitas técnicas a espaços culturais que também se tornam oportunidades de inclusão social. A expectativa é que os participantes sejam capazes de apresentar vernissages e exposições dos seus trabalhos. Para o mês de dezembro está prevista mais uma exposição, para compartilhar os resultados do ano de trabalho.

Sobre o Programa MOB

O Programa Mobilização para Autonomia (MOB) é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe em soluções com o objetivo de assegurar a inclusão efetiva das pessoas com deficiência. Se dedica a romper barreiras para que as pessoas com deficiência possam participar da sociedade e exercer plenamente seus direitos.

Informações: fsdown@fsdown.org.br

(19) 3790-2818

Fonte: https://www.feac.org.br/explorar-habilidades-com-estimulos-a-criatividade/

Judith Scott: a arte bruta e pessoa com deficiência intelectual

e9eb87c0e5f81feb09491342e1d576daAo considerar os artistas aqueles que, pela experimentação estética, pretendem comunicar algum conteúdo à seu público – conteúdo esse aberto a diversas interpretações -, como explicar a expressão de pessoas que, sem a intenção de se autointitularem artistas, possuem uma produção de alta qualidade estética? Aliás, quem diz o que é e não é arte? Quais são os locais apropriados para o que é nomeado arte?

Esses questionamentos e o encontro com as produções criativas de pacientes psiquiátricos fizeram com que o artista plástico francês Jean Dubuffet criasse o termo Arte Bruta. Art Brut (em francês) se trata de uma produção que afirma-se por rejeitar o que é dominantemente considerado arte e é realizada por pessoas que, sem formação artística, deixam emergir, espontaneamente, suas possibilidades criativas.

Esse parece ser o caso de Judith Scott. Judith, falecida em 2005, aos 61 anos, era diagnosticada com a Síndrome de Down e perdeu a audição na infância devido a febre escarlate. Por ser compreendida como uma criança ineducável, foi encaminhada pela família para uma instituição especializada de tempo integral. Já adulta, é retirada da instituição por sua irmã gêmea Joyce e passa a frequentar o Creative Growth Art Center, em Oakland, Califórnia, onde começa uma intensa jornada de expressão e criatividade.

Essa palestra pretende criar um paralelo entre história da arte, o interesse pela expressão criativa daqueles não considerados artistas e inclusão cultural pela expressão criativa.

Palestrante: Agda Brigatto. Doutoranda em Saúde, Interdisciplinariedade e Reabilitação – FCM/Unicamp

A Fundação realiza exposição de obras criadas pelos usuários

XILOMUNDO: O MUNDO POR UM OLHAR MONOCROMÁTICO

A FUNDAÇÃO SÍNDROME DE DOWN CONVIDA PARA A EXPOSIÇÃO DOS TRABALHOS DOS USUÁRIOS REALIZADOS NO ESPAÇO TEMÁTICO DO ATELIÊ NO ANO DE 2016

Por meio da Arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação, apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada. Ana Mae Barbosa[1]

O espaço temático do ateliê da Fundação Síndrome de Down, que faz parte da rede de Programas do Serviço de Apoio a Vida Adulta, encerra mais um ano de atividades criativas com a exposição dos trabalhos realizados no ano de 2016.

Durante esse ano, foi a exposição do fotógrafo Sebastião Salgado, intitulada “Gênesis”, cediada pelo Sesc-Campinas que norteou os trabalhos dos usuários no ateliê. Os usuários, primeiramente, apreciaram as imagens do fotógrafo, estudaram sua história e sua obra e apreenderam curiosidades e informações sobre a obra de Sebastião. Após a visita, iniciamos uma discussões sobre a vida e obra do artista, assim como sobre a técnica da fotografia. Nessas conversas os usuários foram compreendendo diversas conceitos: (1) a diferença entre a fotografia digital (atual) e a analógica (que utiliza filmes e processo químico de revelação); (2) a opção pela fotografia em preto e branco (P/B) feita pelo fotógrafo que não se dá pela falta de recurso da câmera colorida, como no caso das fotos antigas, mas sim por uma questão de estilo; (3) e o conceito de monocromático que existe nas obras de Salgado.

E o que é monocromático?

Monocromático significa aquele que apresenta apenas uma cor. Mas como a foto preto e branca pode ser monocromática? Na verdade, a foto impressa utiliza apenas uma cor durante a impressão, a cor preta. A intensidade de preto impressa sobre o papel branco é que escurece ou clareai a cor, definindo os direfentes tons de cinza da fotografia P/B. Assim, o trabalho de Sebastião é monocromático. A partir desse conceito, iniciamos a criação do ateliê realizando pinturas, desenhos monotipias e, enfim, xilogravuras, monocromáticas usando preto e nuances de cinza.

[1]    Ana Mae Barbosa: pesquisadora que realizou importantes estudos da história do ensino da arte no Brasil e, denfendendo a arte como conhecimento, difundiu métodos e conceitos em arte educação (ensino da arte). O trecho acima foi retirado de “Inquietações e mudanças no ensino da arte”. São Paulo: Cortez, 2002, p.18.

O que é a xilogravura?

A palavra xilo significa madeira, então, xilogravura significa gravura feita a partir da madeira. Isso significa que os usuários, utilizando ferramentas chamada goivas (pequenas “facas” com corte em diferentes formatos), realizaram o entalhe da madeira que resultaram em baixos relevos criando uma matriz. Posteriormente, como um carimbo, a madeira é pintada com tinta preta (mais tradicionalmente utilizada na xilogravura) e carimbada no papel. Assim, a obra final não são as matrizes esculpidas, mas sim as impressões realizadas com essas no suporte de papel. A união dos conceitos Monocromático e da técnica Xilogravura originaram o nome da exposição XILOMUNDO: O MUNDO POR UM OLHAR MONOCROMÁTICO,  elaborada pelos participantes do ateliê.

Qual a importância da exposição?

A arte é uma forma de comunicação. Ao criar, meu desejo, consciente ou inconsciente, é de comunicar algo através de uma técnica artística. No entanto, para que essa comunicação ocorra, é preciso haver um observador. Assim, de nada adianta ensaiar uma peça, criar uma coreografia, pintar uma obra se essa nunca se encontrar com um público. Esse é o significado máximo da exposição.

É importante salientar que os usuários participaram que todas as etapas do processo de elaboração e execução da exposição. Isso possibilita pensar e significar a prática criativa de cada um e coletiva. Ao nomear uma obra, por exemplo, se a pessoa desenhou uma casa, é preciso pensar que casa é essa, o que a pessoa quis comunicar com essa casa, como ela quer nomeá-la e esse processo de imaginação e significação altera a realidade, ou seja, modifica o sentido da casa real, da ideia inicial, do sentimento estimulado que a inspirou durante o processo de criação. Isso constitui a produção de cultura pelo olhar das pessoas que frequentam o ateliê.

Os usuários escolheram o nome dessa exposição a partir de uma chuva de ideias, realizaram as fichas técnicas e definiram o local de cada obra com a mediação e curadoria da arte educadora responsável pelo espaço do ateliê, Agda Brigatto. Assim, a exposição é símbolo de protagonismo dos usuários participantes de todo esse processo de criação.

Venha conferir  e apreciar nosso trabalho!

 

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO

QUANDO? 02/12/2016

ONDE? FUNDAÇÃO SÍNDROME DE DOWN

HORÁRIO? 18H30

DURAÇÃO? A EXPOSIÇÃO FICARÁ ABERTA DE 02/12 À 19/01/2017

 

AUTORES DAS OBRAS: Caetano Vilas Boas Rodrigues, Felipe Taddeo de Lima Campos, Frank Rodrigues Caron, Gabriel Mantey  Ghani, Ivanete Gozzi, Julio Cesar Dias De Alvarenga, Leticia Scagliusi Novaski, Luis Gustavo  Vicentim Toledo, Mayara Cristina Zanini, Michael Athaide Hoffmann, Monica Dayane Tura, Ricardo Gonçalves do Carmo Júnior, Samuel Davi Almada Satti da Silva, Tarso Dimas Fernandes de Toledo e Vitor Falcone Von Atzingen.

Food trucks e bikes invadem a Fundação Síndrome de Down

IMG_20151203_110609501Evento gastronômico e exposição, no sábado, dia 12, marcam  o encerramento das atividades da instituição.

Oito food trucks e bikes estacionam na Fundação Síndrome de Down no próximo sábado, dia 12, das 10h às 15h. O evento encerra as atividades do ano da instituição em grande estilo, garantindo uma diversidade interessante de pratos saborosos com preço máximo de R$ 20. Roda de samba, feira de troca de brinquedos e a mostra artística integram a programação do evento cuja parte da renda será revertida para a instituição.

Entre os participantes dos trucks estão Antonello Food Bike, com os canoles, as redondas do Madruga Pizzas, Monte Cogumelos Gourmet, Tasty, os doces de Vivi Ávila, chopp e vinho e os inesquecíveis lanches da Vivi Góes Food Bike.

A mostra Territórios: o Corpo, o Mundo, o Outro e a Arte reúne trabalhos de 21 usuários produzidos no Ateliê, em 2014 e 2015, utilizando técnicas variadas e mostrando a relação de cada indivíduo com o mundo. A exposição estará aberta à visitação no Espaço Thomaz Perina durante todo o evento.

Com o objetivo de promover o entrosamento e a socialização entre as crianças, haverá uma feira de trocas de brinquedos usados, uma experiência enriquecedora para dar novos significados a objetos antigos e reafirmar que as relações não precisam ser pautadas pelo consumismo.

A Fundação convida quem toca instrumentos para uma roda de samba aberta, uma forma divertida de confraternização, valorizando a espontaneidade e as ações colaborativas a partir das 12h30.

O evento conta com o apoio da Totvs.

SERVIÇO:

O quê: Food bikes e trucks na Fundação Síndrome de Down

Quando: dia 12/12, das 10h às 15h

Onde: Sede da instituição (Rua José Antonio Marinho, 430, Barão Geraldo, fone: 3289-2818)

Quanto: entrada franca