Arquivo da tag: Autonomia

Roda de conversa Profissionais negras na rede de atendimentos: potências e desafios

Pela primeira vez a Fundação Síndrome de Down realiza diversas ações dedicadas ao Mês da Consciência Negra, com o objetivo de levar à reflexão sobre a importância do povo e da cultura preta no Brasil.

A roda de conversa pretende pautar a potência e os desafios que profissionais negras vivenciam na rede de atendimentos, assim como suas experiências junto às pessoas com deficiência.

Convidadas: Gabriella da Cruz Santos, Sulamita Gonzaga Amorim e Ana Cristina dos Santos Vangrelino

Ana Cristina dos Santos Vangrelino, graduada em Psicologia pela UNESP), mestre em Educação pela UFSCar, especialista em Saúde Coletiva pela USP, especialista em Educação Permanente em Saúde pela UFRGS/DEGES/SGTES/MS, especialista em Gestão de Serviços de Saúde pela UNICAMP. É membro do Diretório de Pesquisa do CNPq Análise Institucional e Saúde Coletiva da UNICAMP. Participante do Núcleo de Relações Raciais e Psicologia do CRP e Colaboradora do Núcleo de povos tradicionais, indígenas, quilombolas, de terreiros e em luta pela terra. Atualmente exerce a atividade de apoio técnico no Núcleo de Educação Permanente em Saúde  e de psicóloga do Centro de Convivência e Cooperação Tear das Artes/ Casa de Cultura Andorinhas no Distrito de Saúde Sudoeste do município de Campinas.

Gabriela da Cruz Santos, Terapeuta Ocupacional formada pela UFSCar. Aprimoramento em Saúde Mental Infantojuvenil pela Unesp, e especialização em Saúde Mental pela Unicamp. Profissional da rede de saúde mental em Campinas, envolvida em atividades referentes a saúde mental na infância e adolescência, contexto familiar, relações étnico-raciais, reabilitação psicossocial.

Sulamita Gonzaga Amorim, Terapeuta Ocupacional- Puc Campinas; especialista em Saúde Mental – Unicamp. Integrante do grupo de trabalho de Psicologia, povos tradicionais, quilombolas, indígenas e em luta por território do CRP Campinas e do grupo de pesquisa em Saúde Mental e Saúde Coletiva _Interfaces- Unicamp.  Também atua em um Centro de Atenção Psicossocial- Álcool e outras Drogas.

 

O direito ao trabalho: da formação a inclusão

Palestrante: Marta Gil

Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas (www.amankay.org.br); consultora na área de Inclusão de Pessoas com Deficiência, com ênfase em Educação e Trabalho, para empresas e órgãos públicos. Palestrante em encontros nacionais e internacionais, tem livros e artigos publicados, conteudista de vídeos e de cursos de educação à distância (EAD).

job_1600_3_direito

10º Café com RH

PALESTRANTE: Rodolfo Ambiel – Psicólogo, Doutor em Psicologia pela Universidade São Francisco. Trabalhou no início do Serviço de Formação e Inclusão no Mercado de Trabalho.

A 10º edição do Café com RH celebra 10 anos de entrega do selo “Empresa Inclusiva” às empresas parceiras e 20 anos do Serviço de Formação e Inclusão no Mercado de Trabalho.

Desde 1999, mais de 200 pessoas já foram incluídas no mercado de trabalho pela Fundação que convoca empresas a se tornarem inclusivas. A programação especial de comemoração convida para discutir desafios, novas possibilidades e compartilhar experiências adquiridas nos mais diversos setores.

Confira a programação completa! Para participar, é necessário fazer inscrição em cada palestra.

CAFÉ COM RH – 10 ANOS  05 a 07 de novembro 

05/11 – TERÇA FEIRA

08h30 – Café de boas vindas

09h15 – Abertura

10h00 – 20 Anos de Inclusão na Prática

José Alberto Saltini – empresário Mc Donald’s

Victor Andreucci – primeiro usuário incluído em 1999

10h45 – 10 anos de Café com RH

Palestrante: Rodolfo Ambiel – Psicólogo, Doutor em Psicologia pela Universidade São Francisco. Trabalhou no início do Serviço de Formação e Inclusão no Mercado de Trabalho.

11h30 – Entrega do selo “Empresa Inclusiva”

12h30 – Encerramento

Local: Fundação Síndrome de Down

15h30 – Oficina de artesanato: elaboração de um porta lápis de vidro

Com: Bia Reis

18h – Palestra – Empreendedorismo da pessoa com deficiência intelectual

Palestrantes: Bia e Camila Reis – Empreendown

Projeto idealizado pelas irmãs Bia e Camila Reis, para dar visibilidade a empreendedores com síndrome de Down.

Local: Café T21

INSCREVA-SE: https://www.sympla.com.br/empreendedorismo-da-pessoa-com-deficiencia-intelectual__682150

 O DIA TODO

->Ateliê Aberto – exposição das obras elaboradas pelas pessoas que frequentam o ateliê.

->Exposição Fotográfica com a temática do trabalho autônomo

       De: Jéssica Mendes

 06/11 – QUARTA FEIRA

10h00 – Palestra: O direito ao trabalho: da formação a inclusão

Palestrante: Marta Gil

Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas (www.amankay.org.br); consultora na área de Inclusão de Pessoas com Deficiência, com ênfase em Educação e Trabalho, para empresas e órgãos públicos. Palestrante em encontros nacionais e internacionais, tem livros e artigos publicados, conteudista de vídeos e de cursos de educação à distância (EAD).

INSCREVA-SE: https://www.sympla.com.br/o-direito-ao-trabalho-da-formacao-a-inclusao__682154

07/11 – QUINTA FEIRA

18h30 – Apresentação do grupo de Dança Humaniza e Naginga Capoeira

Inclusão pela Superação

Com Daniel Dias, o maior medalhista brasileiro e recordista mundial nasceu em Campinas, com má formação congênita nos membros superiores e perna direita. Sempre foi fã de esportes e descobriu o paradesporto assistindo Clodoaldo Silva disputar as paralimpíadas da Atenas 20004 e, dois anos depois, já disputava seu primeiro Mundial de Natação. Nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016 conquistou nove medalhas e tornou se o maior medalhista paralímpico da natação de todos os tempos, com 24 medalhas no total (sendo 14 de ouro). Em 2016, Daniel recebeu o prêmio Laureus World Sports Awards como melhor atleta com deficiência do ano pela terceira vez. Até então, apenas três outros brasileiros haviam recebido este prêmio: Pelé (Futebol, 2000) Ronaldo Fenômeno (Futebol, 2003) e Bob Burnquist (Skateboarding, 2002).

Projeto moradia é o futuro

O caráter pioneiro da Fundação Síndrome de Down surgiu para oferecer aos filhos de um grupo de pais um espaço educacional e terapêutico integrado, em que o individuo fosse considerado em sua totalidade. Um dos principais objetivos é o desenvolvimento das possibilidades e potencialidades das pessoas com deficiência intelectual que foi reforçado pela Convenção Internacional das Nações Unidas sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, da qual o Brasil é signatário desde 2008.

É preciso ter os direitos das pessoas com deficiência intelectual reconhecidos e uma inclusão social mais plena, para que na fase adulta tenham mais independência em suas necessidades de trabalho, de relacionamento e de vida. O projeto que a Fundação vem preparando para implantar incentivando esse processo é o da moradia independente, em que os usuários se sintam mais preparados para irem morar sozinhos ou com outra pessoa. “É preciso um apoio mútuo e a Fundação está pronta para isso, para colaborarmos dentro das condições que cada um tem, seja financeira ou de autonomia. A nossa preocupação veio crescendo ao longo desses anos e fomos aprendendo juntos como ajudar a desenvolver a independência, é um aprendizado para todos e a fórmula não está pronta”, avalia o presidente da entidade, Claudio José Nascimento de Oliveira.

Para a Mostra 2019 foram montadas três residências: uma casa, um loft e um apartamento. O loft ficará como legado para a Fundação e funcionará como uma oficina de vivência para as pessoas com Síndrome de Down. “A ideia de ter o espaço de vivência é usá-lo depois para intensificar o trabalho de autonomia e independência que nós já fazemos”, completa o presidente. Também destaca a importância de futuros projetos que atuem no envelhecimento precoce das pessoas com SD.

Existe o mito que a Síndrome de Down é uma doença, o que não é verdade. Trata-se de uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais, o par 21, também é conhecida por trissomia do cromossomo 21. Foi descoberta em 1866 por John Langdon Down, na Inglaterra. O diagnóstico se realiza com um estudo cromossômico (cariótipo) e a primeira análise ocorreu em 1958 por Jerome Lejeune.

Como a SD é uma alteração cromossômica, é possível realizar um diagnóstico pré-natal utilizando os exames clínicos amniocentese ou biópsia do vilo corial. O exame bioquímico avalia os níveis de substâncias químicas no sangue materno alterados no caso da SD. A ultrassonografia também pode colaborar para detectar a SD. Porém, estas últimas intervenções não são consideradas diagnósticas.

Para reforçar o desenvolvimento e a busca pela identidade autônoma do indivíduo, a Fundação oferece serviços de apoio, eventos e projetos.

O projeto Território de Todos conta com apoio da FEAC e faz parte do Programa Mobilização para Autonomia da entidade para reduzir as barreiras e permitir o acesso à cidade, aos serviços públicos e à vida social, contribuindo para o exercício da cidadania no dia a dia. O projeto traz o diferencial do atendimento feito em casa o que melhora a vida dos assistidos e de suas famílias envolvendo também a rede pública de atendimento no entorno dessas pessoas. Iniciou em maio de 2018 com 30 assistidos e pretende começar 2020 ampliando para 100 pessoas atendidas com uma equipe multidisciplinar de 8 profissionais.

A partir de 1999, surge o projeto Recolocação Profissional de Pessoas com Deficiência Intelectual que trabalha a inclusão social e profissional dessas por meio do Programa Nacional de Atenção a Saúde da Pessoa com Deficiência – PRONAS. Ao longo de 20 anos são 260 profissionais inseridos no mercado de trabalho na Região Metropolitana de Campinas. Já o projeto Expansão e Melhoria do Serviço de Formação e Inclusão no Mercado de Trabalho (2015-2017) reforçou o serviço de Formação e Inserção no Mercado de Trabalho com processo de captação de vagas e candidatos.

A Fundação também oferece oficinas artísticas terapêuticas aos adultos no ateliê com o Projeto Ateliê Aberto que consiste na reforma do espaço e na ampliação do número de atividades e de atendimentos de 13 para 30 vagas. O principal objetivo é a busca de igualdade de oportunidades e desenvolve suas atividades conforme com a demanda de cada usuário e respeitando a capacidade cognitiva e motora. No 2º semestre de 2018 foram realizadas 140 oficinas, 03 visitas a espaços culturais, 01 exposição de trabalhos dos usuários, uma parceria com a Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas e o CIAPD (Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência da PUC-Campinas). Em 2019, foram realizadas oficinas de desenho e pintura, cerâmica, gravura e história da arte.

O projeto Diagnóstico Socioterritorial da População Assistida pela Fundação Síndrome de Down (2016-2017) mapeou o território usado pelos usuários com o objetivo de traçar perfis de mobilidade territorial das pessoas com deficiência na cidade de Campinas e Região Metropolitana. Com coleta e análise de dados, a Fundação buscou proporcionar melhorias em seu trabalho, potencializar a rede intersetorial e aumentar as possibilidades de acesso das pessoas com deficiência intelectual aos seus direitos.

Planeta melhor para os filhos ou filhos melhores para o planeta

Evaristo de Miranda 67 anos, é engenheiro agrônomo, pesquisador, escritor e atual diretor geral da Embrapa Territorial, em Campinas, SP Tem mais de 40 livros publicados sobre agricultura, sustentabilidade, natureza e temas filosóficos/religiosos. Liana John, 61 anos, é jornalista ambiental, editora e autora de diversos livros e cartilhas sobre sustentabilidade e conservação da biodiversidade. Daniel Lino de Miranda, 24 anos, tem Síndrome de Down, é palestrante e youtuber há 2 anos apresenta o canal Down News sobre autonomia e competências das pessoas com deficiência. Quando pensamos em nossa herança para as futuras gerações, oscilamos entre os bens materiais e legados escritos ou falados àqueles que levarão adiante o nosso nome. Dificilmente entendemos as futuras gerações como a própria herança. E quando um filho tem alguma deficiência é ainda mais difícil pensar desse modo. É como se ele estivesse destinado a ser sempre receptor e nunca autor ou protagonista. Na SustenTalk discutiremos as possibilidades de construir um mundo melhor e mais sustentável com os nossos filhos (com ou sem deficiência) e não apenas para eles.

COHAB E FUNDAÇÃO SÍNDROME DE DOWN FIRMAM PARCEIRA INCLUSIVA.

55802459_1220170588160075_8728397938121768960_o

A Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab-Campinas) viveu um dia histórico nesta terça-feira, 2 de abril. Por meio de uma parceria com a Fundação Síndrome de Down e mediante um convênio com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), a companhia incluiu entre seus colaboradores uma estagiária que tem Síndrome de Down.

Giovanna Marcondes Mammana, 22 anos, foi selecionada entre vários candidatos e passa a prestar serviços junto ao Gabinete da Presidência.
Para Paula Chagas, assistente de mercado de trabalho da Fundação Síndrome de Down, a entidade é especialista há mais de 20 anos também neste segmento com resultados mais que positivos em empresas de telemarketing, farmácias e até grandes multinacionais como por exemplo, a Robert Bosch do Brasil.

“Uma das nossas especialidades é a formação e a inclusão no mercado de trabalho. Estamos visitando cada setor da empresa explicando que a Giovanna vai cumprir como estagiária a mesma carga horária e ter as mesmas responsabilidades, direitos e deveres que os outros funcionários. Ela é comunicativa e encantadora e pedimos que seja bem tratada como deve ser tratado qualquer colega de trabalho”, afirmou.

A nova funcionária se sentiu acolhida e adorou o ambiente. “Muito prazer, eu sou Giovanna e estou amando trabalhar aqui; recebi as boas vindas e espero, com o meu trabalho, contribuir para o crescimento da empresa”, disse.

Segundo o secretário de Habitação e presidente da Cohab-Campinas, Vinicius Riverete, a companhia está cumprindo seu papel que é investir em métodos e iniciativas de inclusão.

“Na verdade, em qualquer setor da vida, e com os portadores da Síndrome de Down não é diferente, o que as pessoas mais necessitam é de uma oportunidade. Se todos pensassem desta maneira, teríamos uma sociedade bem mais inclusiva. Vamos apostar nesta experiência, trabalhando para que o resultado seja satisfatório. Desta forma pretendemos ampliar e seguir apoiando e implantando este e outros métodos de inclusão”, completou.

Fonte: São Paulo ao Vivo

Desafios e possibilidades da inclusão no mercado de trabalho

Segundo o último censo demográfico realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a população de pessoas com deficiência era de 45.606.048 pessoas. Considerando o aumento natural da população total de brasileiros, é de se esperar que este número também tenha aumentado. 

Em 2015, foi instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – LBI, destinada a assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania. Com a LBI, passou-se a adotar a definição de deficiência como a relação de impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial e as barreiras sociais que possam obstruir a participação plena e efetiva do indivíduo na sociedade em condições de igualdade com as demais pessoas.* Assim, a deficiência não está somente no indivíduo, mas também nas relações deste com o contexto em que está inserido e as barreiras ali encontradas. 

A temática da inclusão tem sido amplamente debatida, principalmente no contexto do mercado de trabalho. Mas por que precisamos falar de inclusão? É possível realmente realizar uma inclusão efetiva? Quais os desafios do processo de inclusão? Motivada por estes questionamentos, a Fundação Síndrome de Down propõe uma roda de conversa com o objetivo de proporcionar espaço para reflexão, discussão e compartilhamento de experiências sobre as questões relacionadas aos desafios da inclusão efetiva de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho.

*Lei Federal nº 13.146, de 6 de julho de 2015 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm