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Artistas cadeirantes e com Síndrome de Down participam do maior encontro de talentos do mundo em Brasília

Divulgacao_MGT O Encontro_inclusaoO diferencial dos participantes e a diversidade são o foco da edição 2019 do “MGT O ENCONTRO”, que será realizado entre os dias 12 e 15 de julho, no Centro Internacional de Convenções de Brasília.

Considerado o maior encontro de talentos do mundo, o evento terá a presença especial de cerca de 50 selecionados cadeirantes e com Síndrome de Down dentre os 4 mil inscritos para disputar premiações, bolsas de estudo e oportunidades de carreira nas categorias Atuação, Modelo, Canto, Youtuber, Dança (Escola do Teatro Bolshoi no Brasil) e “IMTA”.

De diversos Estados do Brasil, estes jovens vêm ao Encontro para ressaltar que a inclusão de pessoas cadeirantes e com Síndrome de Down no mercado de trabalho artístico já é uma realidade. O ingresso destes artistas neste universo favorece o desenvolvimento de habilidades, o aprendizado cognitivo, mecânico e a adaptação à rotina de trabalho, que cada vez mais abre oportunidades para estes profissionais.

Eles e outros participantes selecionados de todo o Brasil se reunirão na maratona de quatro dias para vivenciar uma experiência de imersão artística. Durante o Encontro, os selecionados têm contato com nomes reconhecidos do mundo da moda, tv, cinema, teatro e música em dinâmicas que favorecem o aprendizado.
Conhecimento
Neste ano, o Encontro também preparou uma série de palestras educacionais sobre
profissões dos bastidores do mundo artístico e lançará o livro “Você Também Pode Brilhar Por Trás dos Palcos”, de autoria do manager e presidente do Grupo MGT, Marcelo Germano. A obra discorre sobre o aspecto educacional envolvido no processo do desenvolvimento artístico, o empreendedorismo necessário para seguir carreira e a capacidade de identificar oportunidades em um universo dinâmico em constante transformação.

Mais informações acesse o site: www.mgtoencontro.com.br

Assessoria de Imprensa MGT O Encontro

(43) 98418-3260 Teixeira Quintiliano / 99696-7874 Fernanda Carreira

COHAB E FUNDAÇÃO SÍNDROME DE DOWN FIRMAM PARCEIRA INCLUSIVA.

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A Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab-Campinas) viveu um dia histórico nesta terça-feira, 2 de abril. Por meio de uma parceria com a Fundação Síndrome de Down e mediante um convênio com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), a companhia incluiu entre seus colaboradores uma estagiária que tem Síndrome de Down.

Giovanna Marcondes Mammana, 22 anos, foi selecionada entre vários candidatos e passa a prestar serviços junto ao Gabinete da Presidência.
Para Paula Chagas, assistente de mercado de trabalho da Fundação Síndrome de Down, a entidade é especialista há mais de 20 anos também neste segmento com resultados mais que positivos em empresas de telemarketing, farmácias e até grandes multinacionais como por exemplo, a Robert Bosch do Brasil.

“Uma das nossas especialidades é a formação e a inclusão no mercado de trabalho. Estamos visitando cada setor da empresa explicando que a Giovanna vai cumprir como estagiária a mesma carga horária e ter as mesmas responsabilidades, direitos e deveres que os outros funcionários. Ela é comunicativa e encantadora e pedimos que seja bem tratada como deve ser tratado qualquer colega de trabalho”, afirmou.

A nova funcionária se sentiu acolhida e adorou o ambiente. “Muito prazer, eu sou Giovanna e estou amando trabalhar aqui; recebi as boas vindas e espero, com o meu trabalho, contribuir para o crescimento da empresa”, disse.

Segundo o secretário de Habitação e presidente da Cohab-Campinas, Vinicius Riverete, a companhia está cumprindo seu papel que é investir em métodos e iniciativas de inclusão.

“Na verdade, em qualquer setor da vida, e com os portadores da Síndrome de Down não é diferente, o que as pessoas mais necessitam é de uma oportunidade. Se todos pensassem desta maneira, teríamos uma sociedade bem mais inclusiva. Vamos apostar nesta experiência, trabalhando para que o resultado seja satisfatório. Desta forma pretendemos ampliar e seguir apoiando e implantando este e outros métodos de inclusão”, completou.

Fonte: São Paulo ao Vivo

Desafios e possibilidades da inclusão no mercado de trabalho

Segundo o último censo demográfico realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a população de pessoas com deficiência era de 45.606.048 pessoas. Considerando o aumento natural da população total de brasileiros, é de se esperar que este número também tenha aumentado. 

Em 2015, foi instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – LBI, destinada a assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania. Com a LBI, passou-se a adotar a definição de deficiência como a relação de impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial e as barreiras sociais que possam obstruir a participação plena e efetiva do indivíduo na sociedade em condições de igualdade com as demais pessoas.* Assim, a deficiência não está somente no indivíduo, mas também nas relações deste com o contexto em que está inserido e as barreiras ali encontradas. 

A temática da inclusão tem sido amplamente debatida, principalmente no contexto do mercado de trabalho. Mas por que precisamos falar de inclusão? É possível realmente realizar uma inclusão efetiva? Quais os desafios do processo de inclusão? Motivada por estes questionamentos, a Fundação Síndrome de Down propõe uma roda de conversa com o objetivo de proporcionar espaço para reflexão, discussão e compartilhamento de experiências sobre as questões relacionadas aos desafios da inclusão efetiva de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho.

*Lei Federal nº 13.146, de 6 de julho de 2015 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm 

“Estamos correndo atrás de nossos sonhos e não deixamos ninguém para trás”

Discriminação, baixas expectativas, barreiras de atitude e exclusão ainda são vivências comuns em suas rotinas, fazendo com que muitas pessoas com Síndrome de Down e deficiência intelectual sejam deixadas para trás.

Ao longo dos últimos anos, um grupo de adultos da Fundação Síndrome de Down, participantes do Grupo Mundo do Trabalho, vem refletindo sobre suas trajetórias, lutando para conscientizar a sociedade sobre as potencialidades das pessoas com deficiência intelectual, dar visibilidade às suas conquistas e garantir o acesso a uma vida plena em todos os espaços sociais.

Neste ano, como parte das ações de conscientização da luta das pessoas com  síndrome de Down será realizado no dia 16 de março o evento “Estamos Correndo Atrás De Nossos Sonhos e Não Deixamos Ninguém Para Trás” que contará com a presença de 25 jovens/adultos que se responsabilizarão pelo planejamento e execução de palestras relacionadas às batalhas enfrentadas ao longo dos anos para a garantia de direitos como educação e trabalho.

Acreditando que todas as pessoas devem ter oportunidades para viverem e serem incluídas em igualdade de condições em todas as esferas da sociedade com os devidos apoios necessários, este grupo compartilhará no evento suas experiências para promover mudanças na sociedade, demonstrando, através de suas narrativas, como as atitudes negativas e a falta de conhecimento sobre o potencial das pessoas com deficiência intelectual e síndrome de Down podem fazer com que muitos sejam deixados para trás e como informação, respeito, apoio e oportunidade fazem toda a diferença no processo de construção de uma sociedade inclusiva.

Jovens com Síndrome de Down lideram evento sobre inclusão no mercado de trabalho

(Por Ariany Ferraz)

Encontro dá visibilidade através dos relatos de trajetórias, desafios e superação

Sorridente e com brilho no olhar, Bianca Faria convida diversos jovens a subir no palco. Cheios de energia, motivados e com muitas histórias para contar, eles dão início ao II Encontro Bem-vindo ao Meu Mundo, realizado na Fundação Síndrome de Down (FSD) em Campinas. Emocionados por ter a voz e a vez de poder compartilhar suas experiências e expectativas, os jovens foram os personagens principais do evento que evidenciou o protagonismo de seus pares e marcou o início das atividades relacionadas ao dia 21 de março, em que se comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down. O encontro contou com participação de entidades como o CEESD – Centro de Educação Especial Síndrome de Down (CEESD), da Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (ADID) e Instituto Carpe Diem. FSD e CEESD são entidades parceiras da Fundação FEAC que recebem apoio institucional através de um novo modelo de investimento no âmbito do Programa MOB – Mobilização pela Autonomia.

Com o tema “Nós temos direitos de Ser respeitados e Felizes” o evento chegou em sua segunda edição, repetindo o modelo de sucesso da iniciativa que tem os usuários da FSD, participantes do Projeto Grupo Mundo do trabalho, à frente do encontro. Foram eles que decidiram organizar um dia especial para que pudessem contar suas vivências e trajetórias de vida e preparam tudo, desde a proposta inicial, elaboração de convites, busca de apoiadores, divulgação, definição das palestras, apresentações e atividades de apoio. “Eu acho fantástico, pois mostra a autonomia que eles passam a ter efetivamente”, afirmou Cláudio José Nascimento, presidente da Fundação.

O auditório lotado teve a oportunidade de experienciar o olhar de quem convive com a deficiência intelectual e vivencia na pele todos os desafios do crescimento profissional, desde os estudos até chegar ao mercado de trabalho. Com o apoio da assessora ao mercado de trabalho da Fundação Síndrome de Down, Paula Chagas, os participantes da mesa “Voltando a estudar: como estamos lidando com as exigências das empresas para crescermos na nossa carreira” relataram o histórico de vivências na escola, desde conquistas, como o bom desempenho nas matérias, e barreiras encontradas, como as dificuldades com os conteúdos, situações de bullying e o suporte recebido em situações assim. Em todas as histórias um ponto em comum, nada que não pudesse ser superado com a ajuda dos professores, colegas e, principalmente, da família. Luis Gustavo Vicentin, 20 anos, participante da mesa, deixou claro: “o apoio da família é fundamental”.

Os estudos e o caminho para o trabalho fazem parte da construção de uma identidade adulta e um passo importante para a independência. A reflexão evidencia que é preciso eliminar as barreiras na sociedade para que possam efetivamente estar incluídos, tanto no mercado de trabalho quanto no convívio social. Giovanna Marcondes, 21 anos, contou que não queria ficar em casa sem fazer nada e que queria abrir a mente. Hoje ela faz supletivo e um curso de massoterapia. “Eles são pessoas maravilhosas, carinhosas, inteligentes, que conseguem fazer tudo e só precisam de um pouco mais de apoio e muito amor, isso vai fazer diferença na sociedade”, observou Márcia Marcondes, mãe da Giovanna.

Aceitar limitações e abraçar capacidades

A FSD se preocupa muito com a inclusão da pessoa com síndrome de down dentro da sociedade “e chega uma determinada faixa etária que a melhor inclusão é através do emprego”, avalia Cláudio.  Além da realização profissional, a inclusão promove a participação na sociedade e gera autonomia. “Quando estive desempregada fiquei muito mal, eu ficava em casa vendo receita no computador e pensava: – isso não é para mim! Hoje estou trabalhando, namorando e muito melhor! ”, comentou entusiasmada Simone Cristina, 30 anos. Seu relato marcou a dinâmica da mesa “Perdi, mas conquistei: enfrentando desafios de voltar ao mercado de trabalho”. Na ocasião pontos como evolução após a escola, dilemas sobre recolocação profissional, qualificação e expectativas para o futuro foram os eixos trabalhados.

Caio Zanzine, 29 anos, veio de São Paulo, da ADID. Ele trabalhou com atendimento ao público na Pizza Hut, estudou no Senac e logo depois foi trabalhar em outra unidade da mesma instituição sendo Assistente de Gerente por 6 anos. “Com o trabalho eu venci os obstáculos na vida. Eu me sinto muito feliz agora”, disse. Em um novo momento, hoje ele está trabalhando na KidZania e conta que está no “melhor emprego da sua vida” pois adora crianças. Além de trabalhar, está estudando e faz Krav Maga. “Meu maior sonho é escrever um livro e ter mais autonomia”, completou Caio.

A inserção das pessoas com síndrome de down no mercado de trabalho é muito importante para que possam ser produtivos como todos os demais cidadãos. “É se sentir útil: uma pessoa que se integra socialmente como cidadão. Para meu filho foi fundamental para se desenvolver, ele amadureceu muito depois que começou a trabalhar e ficou muito mais feliz, pela autonomia, pelo salário e a responsabilidade”, relatou Marivone Zanzini, mãe do Caio.

Todos deixaram mensagens para incentivar outros colegas com deficiência intelectual que ainda não trabalham, fazendo convite a se empenharem e buscarem oportunidades. “O mais importante desse momento é eles poderem ter o espaço de fala e de escuta; e o evento vem contribuir para isso”, destacou Juliana Barica Righini, assistente social do Instituto Carpe Diem, que também trabalha com a empregabilidade em seus programas.

Mundo do Trabalho

Gerador de reflexões importantes, o Projeto Grupo Mundo do Trabalho surgiu em 2016 para oferecer um espaço qualificado que reúne jovens adultos com deficiência intelectual. A iniciativa promove o debate sobre o mundo do trabalho potencializando projetos de vida e gerando empregabilidade. O grupo ganhou proporções maiores e foi além, gerando a produção de conhecimento e autoconhecimento, abordando também questões de identidade, participação e conhecimento de seus direitos e deveres.

O desafio para estarem bem colocados no mercado de trabalho vai além de aumentar a participação com a inserção, mas também capacitar esses jovens e melhorar a qualificação dos trabalhos oferecidos pelas empresas, levando em consideração as potencialidades e não as incapacidades, pois muitas vezes são subestimados.

A Fundação tem um trabalho intenso de buscar oportunidades para que eles possam ser inseridos. O Serviço de Formação e Inclusão no Mercado de Trabalho prepara, desde 1999, as pessoas por meio de quatro programas: Curso de Iniciação ao Trabalho, Vivência Prática Profissional, Contratação CLT e Sócio Laboral. O primeiro curso trabalha questões iniciais relacionadas ao primeiro contato com o mercado de trabalho. Na etapa seguinte o “Vivência Prática Profissional” realiza o acompanhamento no período de estágio nas empresas. O terceiro passo é a Contratação CLT que atende necessidades das empresas mediando a inclusão formal. O último e quarto programa “Sócio Laboral”, realiza um acompanhamento extensivo em empresas parceiras da Fundação Síndrome de Down.

“Temos a preocupação de que a empresa esteja preparada, fazemos o trabalho de conscientização, para mostrar que essa pessoa tem algumas limitações, mas tem muito mais potenciais e isso precisa ser mostrado para essa equipe. O sucesso no trabalho não depende somente deles, mas daqueles que estão os recebendo e de que maneira eles vão poder ajudá-los”, concluiu Cláudio.

Para Regiane Fayan, líder do Programa Mobilização para Autonomia, as organizações da sociedade civil de Campinas que atendem as pessoas com síndrome de Down têm se dedicado em ações para a inclusão de seus atendidos no mercado de trabalho. “As ações envolvem as empresas, as pessoas com deficiência, a família e a sociedade. Dar visibilidade, apoio e promover ações para romper com os estigmas são essenciais para que haja uma efetiva inclusão”, conclui Regiane.

“Nós temos direitos de Ser respeitados e Felizes”

Ainda, no final do evento, foi discutida a questão do preconceito e dos estigmas vivenciados pelos jovens. Emocionados e indignados, narraram situações de preconceito, bullying e de como fizeram para enfrentar esses desafios. “Quando eu vou para academia, passo na rua e as pessoas me olham torto. Eu também sou cidadã. Precisa acabar com o preconceito!”, contou Mariana Amato.

Sobre o Programa MOB

O Programa Mobilização para Autonomia (MOB) é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe em soluções com o objetivo de assegurar a inclusão efetiva das pessoas com deficiência. Se dedica a romper barreiras para que as pessoas com deficiência possam participar da sociedade e exercer plenamente seus direitos.

Mais informações:
Fundação Síndrome de Down – www.fsdown.org.br
Sobre os programas de empregabilidade:
http://www.fsdown.org.br/o-que-fazemos/formacao-e-insercao-no-mercado-de-trabalho/
Centro de Educação Especial Síndrome de Down – www.ceesd.org.br

Fonte: https://www.feac.org.br/jovens-com-sindrome-de-down-lideram-evento-sobre-inclusao-no-mercado-de-trabalho/

Impactos de contratações de pessoas com deficiência intelectual no ambiente corporativo

O objetivo deste evento é compartilhar experiências, impactos e desafios enfrentados na contratação de pessoas com deficiência intelectual, com base na pesquisa “O valor que os colaboradores com síndrome de Down podem agregar às organizações”, realizada pela consultoria McKinsey & Company para o projeto Outro Olhar, do Instituto Alana. 

Pretende-se abordar as seguintes áreas destacadas na pesquisa: melhor administração de conflito, desenvolvimento de sentimentos de empatia, maior tolerância e paciência, desenvolvimento de estabilidade emocional em ambientes sob pressão, motivação, cultura e clima organizacional.

Público alvo: profissionais de Recursos Humanos, pessoas com deficiência, familiares e interessados na temática.

Deus não dá um dom pra cada um? A participação social na voz de pessoas com deficiência intelectual

A experiência da participação social na voz de pessoas com deficiência intelectual

“Eu sempre sonhei quando eu crescesse, um dia trabalhar, ser dono do meu próprio nariz”

Geison, 23 anos

Compreendida dentro da ótica da infantilização e incapacidade socialmente construída, a pessoa com deficiência intelectual, atualmente adulta, foi deslocada do lugar de participação social tendo os aspectos de sua vida como educação, trabalho, sexualidade, afetividade, etc. gerenciados pelas Instituições Especializadas. Em um momento de vitórias legais relacionadas aos direitos da pessoa com deficiência, esta palestra realizará a análise de três entrevistas de adultos com deficiência intelectual que passaram a maior parte de sua vida em instituições especializadas descrevendo suas relações com famílias, instituições especializadas, igreja, trabalho e comunidade. As entrevistas foram gravadas e estão disponíveis no site do Museu da Pessoa na coleção “Vidas além da deficiência”, criada pelo museu.

Palestrante: Agda Brigatto. Doutoranda em Saúde, Interdisciplinariedade e Reabilitação – FCM/Unicamp

Explorar habilidades com estímulos à criatividade

Ateliê de artes

Ateliê de Artes oferece experiência artística para pessoas com deficiência intelectual e síndrome de down

(Por Ariany Ferraz)

Os adultos com deficiência intelectual e síndrome de down enfrentam diversas limitações socialmente impostas. Uma delas é a inclusão relacionada ao acesso à bens e produções culturais. Para enriquecer repertórios e proporcionar vivências que gerem conhecimento artístico, cultural e social surge o projeto Ateliê de Artes’. A iniciativa integra o Serviço de Apoio a Vida Adulta da Fundação Síndrome de Down (FSD). Apoiado pela Fundação FEAC por meio do Programa Mobilização para Autonomia (MOB), o projeto tem como  objetivo promover a inclusão social, qualidade de vida, autonomia e desenvolvimento pessoal por meio da arte.

A arte abre caminhos para autoestima, confiança e autonomia. O contato com as diversas linguagens artísticas permite canalizar criativamente o potencial e as habilidades dos participantes.“Trazer a possibilidade de expressão às pessoas com deficiência, por meio do uso da arte, e aumentar seu repertório cultural são essenciais também para a construção da autonomia dos indivíduos”, comentou Regiane Fayan, líder do MOB.

Escultura e modelagem com argila, desenho, crochê, pintura acrílica, guache e tridimensional. Essa são algumas das modalidades artísticas disponibilizadas no ateliê. As oficinas são destinadas a jovens e adultos a partir dos 16 anos que sejam atendidos pela instituição. Atualmente são 15 participantes divididos em três grupos com frequência às   terças e quartas-feiras das 14h30 às 16h30e também na quarta das 9h30 às 11h30.

“É um movimento de entrar em contato com a subjetividade, com o olhar integral. É um espaço onde os usuários podem explorar seus mundos, ampliar o olhar artístico e repertórios”, afirma Ana Carolina de Freitas, coordenadora do projeto. Nas atividades são trabalhadas as potencialidades de organização de pensamento e das emoções a fim de facilitar a elaboração de sentimentos e sensações por meio das linguagens artísticas.

Com foco no desenvolvimento individual, o projeto tem um conteúdo referencial, sem ser inflexível. “É um lugar de escuta. Em primeiro lugar chegar com afeto antes da pedagogia. Eu não sou um professor regular que chega com uma aula específica e um conteúdo pronto. Estou aqui para receber a individualidade, entender as necessidades e o potencial de cada um”, pontuou Rodrigo Faria, arte educador.

Ele explica que os níveis de deficiência são variados e diferentes e que o repertório de cada pessoa influencia no que vai ser ensinado. Rodrigo conta que busca explorar o próprio universo da pessoa, porque existem referenciais artísticos que são pontos de partida para o trabalho a ser desenvolvido. “Geralmente eles têm familiaridade com o lápis de cor e começam pelo desenho, que é uma coisa que já fizeram na infância. É entender o repertório que cada pessoa traz e ir complementando, ensinando”, revelou. Ana Carolina completa, “É a importância da experiência e dos olhares que cada um traz”. Assim, os participantes ficam livres para escolherem e criarem à vontade, cada um no seu ritmo, contando com uma orientação individual.

Concentrada, Ivanete Goze, 53 anos, modela cuidadosamente um vaso de argila. No ateliê há três anos ela conta que se descobriu na arte, já fez pintura, desenho e agora está adorando fazer modelagem em argila. “Eu me sinto bem melhor mesmo! Estou aprendendo um monte de coisas novas”, contou.

As atividades auxiliam em aspectos cognitivos, psicomotores, de linguagem, afetividade, entre outros. “O desenho de um participante com mobilidade reduzida costuma ser contido e minucioso, que dá certo com a pintura de cubos, já que o material é pequeno e tem vários lados, o que exige um cuidado maior. Outros alunos que são mais agitados não conseguem. Outra participante que tem um perfil mais agitado e acelerado, por exemplo, prefere a pintura em grande formatos, em tela com colher e massa acrílica. Assim ela extravasa o que está sentindo!”, comentou Rodrigo.

Já Júlio César, 37 anos não gosta de desenhar, mas tem uma paixão especial: moda. Na turma ele traz um talento único, fazer crochê. “Gosto muito de arte. Meu sonho é ser estilista e modelo”, disse com cachecóis em mãos.

Apesar do espaço ser de muita liberdade, é possível trabalhar a questão de lidar com o novo, responsabilidade, regras e tarefas. “Eu avalio se eles conseguem realizar tarefas com autonomia para, por exemplo, buscar e guardar os materiais. Eles lidam muito com a frustração também, às vezes uma cor não saiu como deveria ou se revela uma mancha. E arte é isso, é lidar com o acaso e ir improvisando”, indicou o arte educador que também avalia a aptidão para encaminhamentos ao mercado de trabalho.

Mas não é só abstração em momentos individuais, existem também as atividades em grupo. O processo  é  natural para que todos se sintam à vontade e construam algo juntos. Assim, as oficinas permitem o estabelecimento de vínculos, além da qualificação do repertório cultural de todos graças a passeios e visitas técnicas a espaços culturais que também se tornam oportunidades de inclusão social. A expectativa é que os participantes sejam capazes de apresentar vernissages e exposições dos seus trabalhos. Para o mês de dezembro está prevista mais uma exposição, para compartilhar os resultados do ano de trabalho.

Sobre o Programa MOB

O Programa Mobilização para Autonomia (MOB) é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe em soluções com o objetivo de assegurar a inclusão efetiva das pessoas com deficiência. Se dedica a romper barreiras para que as pessoas com deficiência possam participar da sociedade e exercer plenamente seus direitos.

Informações: fsdown@fsdown.org.br

(19) 3790-2818

Fonte: https://www.feac.org.br/explorar-habilidades-com-estimulos-a-criatividade/