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COHAB E FUNDAÇÃO SÍNDROME DE DOWN FIRMAM PARCEIRA INCLUSIVA.

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A Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab-Campinas) viveu um dia histórico nesta terça-feira, 2 de abril. Por meio de uma parceria com a Fundação Síndrome de Down e mediante um convênio com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), a companhia incluiu entre seus colaboradores uma estagiária que tem Síndrome de Down.

Giovanna Marcondes Mammana, 22 anos, foi selecionada entre vários candidatos e passa a prestar serviços junto ao Gabinete da Presidência.
Para Paula Chagas, assistente de mercado de trabalho da Fundação Síndrome de Down, a entidade é especialista há mais de 20 anos também neste segmento com resultados mais que positivos em empresas de telemarketing, farmácias e até grandes multinacionais como por exemplo, a Robert Bosch do Brasil.

“Uma das nossas especialidades é a formação e a inclusão no mercado de trabalho. Estamos visitando cada setor da empresa explicando que a Giovanna vai cumprir como estagiária a mesma carga horária e ter as mesmas responsabilidades, direitos e deveres que os outros funcionários. Ela é comunicativa e encantadora e pedimos que seja bem tratada como deve ser tratado qualquer colega de trabalho”, afirmou.

A nova funcionária se sentiu acolhida e adorou o ambiente. “Muito prazer, eu sou Giovanna e estou amando trabalhar aqui; recebi as boas vindas e espero, com o meu trabalho, contribuir para o crescimento da empresa”, disse.

Segundo o secretário de Habitação e presidente da Cohab-Campinas, Vinicius Riverete, a companhia está cumprindo seu papel que é investir em métodos e iniciativas de inclusão.

“Na verdade, em qualquer setor da vida, e com os portadores da Síndrome de Down não é diferente, o que as pessoas mais necessitam é de uma oportunidade. Se todos pensassem desta maneira, teríamos uma sociedade bem mais inclusiva. Vamos apostar nesta experiência, trabalhando para que o resultado seja satisfatório. Desta forma pretendemos ampliar e seguir apoiando e implantando este e outros métodos de inclusão”, completou.

Fonte: São Paulo ao Vivo

Desafios e possibilidades da inclusão no mercado de trabalho

Segundo o último censo demográfico realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a população de pessoas com deficiência era de 45.606.048 pessoas. Considerando o aumento natural da população total de brasileiros, é de se esperar que este número também tenha aumentado. 

Em 2015, foi instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – LBI, destinada a assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania. Com a LBI, passou-se a adotar a definição de deficiência como a relação de impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial e as barreiras sociais que possam obstruir a participação plena e efetiva do indivíduo na sociedade em condições de igualdade com as demais pessoas.* Assim, a deficiência não está somente no indivíduo, mas também nas relações deste com o contexto em que está inserido e as barreiras ali encontradas. 

A temática da inclusão tem sido amplamente debatida, principalmente no contexto do mercado de trabalho. Mas por que precisamos falar de inclusão? É possível realmente realizar uma inclusão efetiva? Quais os desafios do processo de inclusão? Motivada por estes questionamentos, a Fundação Síndrome de Down propõe uma roda de conversa com o objetivo de proporcionar espaço para reflexão, discussão e compartilhamento de experiências sobre as questões relacionadas aos desafios da inclusão efetiva de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho.

*Lei Federal nº 13.146, de 6 de julho de 2015 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm 

“Estamos correndo atrás de nossos sonhos e não deixamos ninguém para trás”

Discriminação, baixas expectativas, barreiras de atitude e exclusão ainda são vivências comuns em suas rotinas, fazendo com que muitas pessoas com Síndrome de Down e deficiência intelectual sejam deixadas para trás.

Ao longo dos últimos anos, um grupo de adultos da Fundação Síndrome de Down, participantes do Grupo Mundo do Trabalho, vem refletindo sobre suas trajetórias, lutando para conscientizar a sociedade sobre as potencialidades das pessoas com deficiência intelectual, dar visibilidade às suas conquistas e garantir o acesso a uma vida plena em todos os espaços sociais.

Neste ano, como parte das ações de conscientização da luta das pessoas com  síndrome de Down será realizado no dia 16 de março o evento “Estamos Correndo Atrás De Nossos Sonhos e Não Deixamos Ninguém Para Trás” que contará com a presença de 25 jovens/adultos que se responsabilizarão pelo planejamento e execução de palestras relacionadas às batalhas enfrentadas ao longo dos anos para a garantia de direitos como educação e trabalho.

Acreditando que todas as pessoas devem ter oportunidades para viverem e serem incluídas em igualdade de condições em todas as esferas da sociedade com os devidos apoios necessários, este grupo compartilhará no evento suas experiências para promover mudanças na sociedade, demonstrando, através de suas narrativas, como as atitudes negativas e a falta de conhecimento sobre o potencial das pessoas com deficiência intelectual e síndrome de Down podem fazer com que muitos sejam deixados para trás e como informação, respeito, apoio e oportunidade fazem toda a diferença no processo de construção de uma sociedade inclusiva.

Jovens com Síndrome de Down lideram evento sobre inclusão no mercado de trabalho

(Por Ariany Ferraz)

Encontro dá visibilidade através dos relatos de trajetórias, desafios e superação

Sorridente e com brilho no olhar, Bianca Faria convida diversos jovens a subir no palco. Cheios de energia, motivados e com muitas histórias para contar, eles dão início ao II Encontro Bem-vindo ao Meu Mundo, realizado na Fundação Síndrome de Down (FSD) em Campinas. Emocionados por ter a voz e a vez de poder compartilhar suas experiências e expectativas, os jovens foram os personagens principais do evento que evidenciou o protagonismo de seus pares e marcou o início das atividades relacionadas ao dia 21 de março, em que se comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down. O encontro contou com participação de entidades como o CEESD – Centro de Educação Especial Síndrome de Down (CEESD), da Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (ADID) e Instituto Carpe Diem. FSD e CEESD são entidades parceiras da Fundação FEAC que recebem apoio institucional através de um novo modelo de investimento no âmbito do Programa MOB – Mobilização pela Autonomia.

Com o tema “Nós temos direitos de Ser respeitados e Felizes” o evento chegou em sua segunda edição, repetindo o modelo de sucesso da iniciativa que tem os usuários da FSD, participantes do Projeto Grupo Mundo do trabalho, à frente do encontro. Foram eles que decidiram organizar um dia especial para que pudessem contar suas vivências e trajetórias de vida e preparam tudo, desde a proposta inicial, elaboração de convites, busca de apoiadores, divulgação, definição das palestras, apresentações e atividades de apoio. “Eu acho fantástico, pois mostra a autonomia que eles passam a ter efetivamente”, afirmou Cláudio José Nascimento, presidente da Fundação.

O auditório lotado teve a oportunidade de experienciar o olhar de quem convive com a deficiência intelectual e vivencia na pele todos os desafios do crescimento profissional, desde os estudos até chegar ao mercado de trabalho. Com o apoio da assessora ao mercado de trabalho da Fundação Síndrome de Down, Paula Chagas, os participantes da mesa “Voltando a estudar: como estamos lidando com as exigências das empresas para crescermos na nossa carreira” relataram o histórico de vivências na escola, desde conquistas, como o bom desempenho nas matérias, e barreiras encontradas, como as dificuldades com os conteúdos, situações de bullying e o suporte recebido em situações assim. Em todas as histórias um ponto em comum, nada que não pudesse ser superado com a ajuda dos professores, colegas e, principalmente, da família. Luis Gustavo Vicentin, 20 anos, participante da mesa, deixou claro: “o apoio da família é fundamental”.

Os estudos e o caminho para o trabalho fazem parte da construção de uma identidade adulta e um passo importante para a independência. A reflexão evidencia que é preciso eliminar as barreiras na sociedade para que possam efetivamente estar incluídos, tanto no mercado de trabalho quanto no convívio social. Giovanna Marcondes, 21 anos, contou que não queria ficar em casa sem fazer nada e que queria abrir a mente. Hoje ela faz supletivo e um curso de massoterapia. “Eles são pessoas maravilhosas, carinhosas, inteligentes, que conseguem fazer tudo e só precisam de um pouco mais de apoio e muito amor, isso vai fazer diferença na sociedade”, observou Márcia Marcondes, mãe da Giovanna.

Aceitar limitações e abraçar capacidades

A FSD se preocupa muito com a inclusão da pessoa com síndrome de down dentro da sociedade “e chega uma determinada faixa etária que a melhor inclusão é através do emprego”, avalia Cláudio.  Além da realização profissional, a inclusão promove a participação na sociedade e gera autonomia. “Quando estive desempregada fiquei muito mal, eu ficava em casa vendo receita no computador e pensava: – isso não é para mim! Hoje estou trabalhando, namorando e muito melhor! ”, comentou entusiasmada Simone Cristina, 30 anos. Seu relato marcou a dinâmica da mesa “Perdi, mas conquistei: enfrentando desafios de voltar ao mercado de trabalho”. Na ocasião pontos como evolução após a escola, dilemas sobre recolocação profissional, qualificação e expectativas para o futuro foram os eixos trabalhados.

Caio Zanzine, 29 anos, veio de São Paulo, da ADID. Ele trabalhou com atendimento ao público na Pizza Hut, estudou no Senac e logo depois foi trabalhar em outra unidade da mesma instituição sendo Assistente de Gerente por 6 anos. “Com o trabalho eu venci os obstáculos na vida. Eu me sinto muito feliz agora”, disse. Em um novo momento, hoje ele está trabalhando na KidZania e conta que está no “melhor emprego da sua vida” pois adora crianças. Além de trabalhar, está estudando e faz Krav Maga. “Meu maior sonho é escrever um livro e ter mais autonomia”, completou Caio.

A inserção das pessoas com síndrome de down no mercado de trabalho é muito importante para que possam ser produtivos como todos os demais cidadãos. “É se sentir útil: uma pessoa que se integra socialmente como cidadão. Para meu filho foi fundamental para se desenvolver, ele amadureceu muito depois que começou a trabalhar e ficou muito mais feliz, pela autonomia, pelo salário e a responsabilidade”, relatou Marivone Zanzini, mãe do Caio.

Todos deixaram mensagens para incentivar outros colegas com deficiência intelectual que ainda não trabalham, fazendo convite a se empenharem e buscarem oportunidades. “O mais importante desse momento é eles poderem ter o espaço de fala e de escuta; e o evento vem contribuir para isso”, destacou Juliana Barica Righini, assistente social do Instituto Carpe Diem, que também trabalha com a empregabilidade em seus programas.

Mundo do Trabalho

Gerador de reflexões importantes, o Projeto Grupo Mundo do Trabalho surgiu em 2016 para oferecer um espaço qualificado que reúne jovens adultos com deficiência intelectual. A iniciativa promove o debate sobre o mundo do trabalho potencializando projetos de vida e gerando empregabilidade. O grupo ganhou proporções maiores e foi além, gerando a produção de conhecimento e autoconhecimento, abordando também questões de identidade, participação e conhecimento de seus direitos e deveres.

O desafio para estarem bem colocados no mercado de trabalho vai além de aumentar a participação com a inserção, mas também capacitar esses jovens e melhorar a qualificação dos trabalhos oferecidos pelas empresas, levando em consideração as potencialidades e não as incapacidades, pois muitas vezes são subestimados.

A Fundação tem um trabalho intenso de buscar oportunidades para que eles possam ser inseridos. O Serviço de Formação e Inclusão no Mercado de Trabalho prepara, desde 1999, as pessoas por meio de quatro programas: Curso de Iniciação ao Trabalho, Vivência Prática Profissional, Contratação CLT e Sócio Laboral. O primeiro curso trabalha questões iniciais relacionadas ao primeiro contato com o mercado de trabalho. Na etapa seguinte o “Vivência Prática Profissional” realiza o acompanhamento no período de estágio nas empresas. O terceiro passo é a Contratação CLT que atende necessidades das empresas mediando a inclusão formal. O último e quarto programa “Sócio Laboral”, realiza um acompanhamento extensivo em empresas parceiras da Fundação Síndrome de Down.

“Temos a preocupação de que a empresa esteja preparada, fazemos o trabalho de conscientização, para mostrar que essa pessoa tem algumas limitações, mas tem muito mais potenciais e isso precisa ser mostrado para essa equipe. O sucesso no trabalho não depende somente deles, mas daqueles que estão os recebendo e de que maneira eles vão poder ajudá-los”, concluiu Cláudio.

Para Regiane Fayan, líder do Programa Mobilização para Autonomia, as organizações da sociedade civil de Campinas que atendem as pessoas com síndrome de Down têm se dedicado em ações para a inclusão de seus atendidos no mercado de trabalho. “As ações envolvem as empresas, as pessoas com deficiência, a família e a sociedade. Dar visibilidade, apoio e promover ações para romper com os estigmas são essenciais para que haja uma efetiva inclusão”, conclui Regiane.

“Nós temos direitos de Ser respeitados e Felizes”

Ainda, no final do evento, foi discutida a questão do preconceito e dos estigmas vivenciados pelos jovens. Emocionados e indignados, narraram situações de preconceito, bullying e de como fizeram para enfrentar esses desafios. “Quando eu vou para academia, passo na rua e as pessoas me olham torto. Eu também sou cidadã. Precisa acabar com o preconceito!”, contou Mariana Amato.

Sobre o Programa MOB

O Programa Mobilização para Autonomia (MOB) é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe em soluções com o objetivo de assegurar a inclusão efetiva das pessoas com deficiência. Se dedica a romper barreiras para que as pessoas com deficiência possam participar da sociedade e exercer plenamente seus direitos.

Mais informações:
Fundação Síndrome de Down – www.fsdown.org.br
Sobre os programas de empregabilidade:
http://www.fsdown.org.br/o-que-fazemos/formacao-e-insercao-no-mercado-de-trabalho/
Centro de Educação Especial Síndrome de Down – www.ceesd.org.br

Fonte: https://www.feac.org.br/jovens-com-sindrome-de-down-lideram-evento-sobre-inclusao-no-mercado-de-trabalho/

Impactos de contratações de pessoas com deficiência intelectual no ambiente corporativo

O objetivo deste evento é compartilhar experiências, impactos e desafios enfrentados na contratação de pessoas com deficiência intelectual, com base na pesquisa “O valor que os colaboradores com síndrome de Down podem agregar às organizações”, realizada pela consultoria McKinsey & Company para o projeto Outro Olhar, do Instituto Alana. 

Pretende-se abordar as seguintes áreas destacadas na pesquisa: melhor administração de conflito, desenvolvimento de sentimentos de empatia, maior tolerância e paciência, desenvolvimento de estabilidade emocional em ambientes sob pressão, motivação, cultura e clima organizacional.

Público alvo: profissionais de Recursos Humanos, pessoas com deficiência, familiares e interessados na temática.

Deus não dá um dom pra cada um? A participação social na voz de pessoas com deficiência intelectual

A experiência da participação social na voz de pessoas com deficiência intelectual

“Eu sempre sonhei quando eu crescesse, um dia trabalhar, ser dono do meu próprio nariz”

Geison, 23 anos

Compreendida dentro da ótica da infantilização e incapacidade socialmente construída, a pessoa com deficiência intelectual, atualmente adulta, foi deslocada do lugar de participação social tendo os aspectos de sua vida como educação, trabalho, sexualidade, afetividade, etc. gerenciados pelas Instituições Especializadas. Em um momento de vitórias legais relacionadas aos direitos da pessoa com deficiência, esta palestra realizará a análise de três entrevistas de adultos com deficiência intelectual que passaram a maior parte de sua vida em instituições especializadas descrevendo suas relações com famílias, instituições especializadas, igreja, trabalho e comunidade. As entrevistas foram gravadas e estão disponíveis no site do Museu da Pessoa na coleção “Vidas além da deficiência”, criada pelo museu.

Palestrante: Agda Brigatto. Doutoranda em Saúde, Interdisciplinariedade e Reabilitação – FCM/Unicamp

Autonomia e inclusão da pessoa com deficiência no território

Território de todos

Projeto Território de Todos oferece atendimento domiciliar na região Sudoeste de Campinas.

(Por Ariany Ferraz)

Entender as barreiras vivenciadas na cidade e criar possibilidades de superação. Essa é a proposta do projeto Território de Todos, que busca atender em domicílio pessoas com deficiência intelectual ou síndrome de down e suas famílias na região Sudoeste de Campinas.

A iniciativa integra o Programa Mobilização para Autonomia (MOB) da Fundação FEAC. A missão da inédita proposta é proporcionar saúde emocional, proteção social e inclusão ao inserir essas pessoas em serviços, contextos e espaços relacionados às demandas sociais. Partindo da compreensão de que a participação ativa da pessoa com deficiência no seu entorno e na vida comunitária integram a inclusão social e podem reduzir e romper muitas das barreiras existentes, o projeto trabalha o pertencimento e promove a inclusão territorial.

O projeto está sediado no Centro Comunitário do Jardim Santa Lúcia (CCJSL) que já atende a população que reside na área ao norte da região do Ouro Verde, Chácara Campos Elíseos, Jardim Santa Lúcia, Vila União, Parque Tropical e Jardim Novo Campos Elíseos. De acordo com Fernanda Baccan, assistente social no projeto, a região foi selecionada justamente porque apresenta alto índice de vulnerabilidade social e falta de equipamentos para atender a população com deficiência intelectual.

A região foi identificada por meio do “Diagnóstico Socioterritorial da população assistida pela Fundação Síndrome de Down”, que mapeou os locais utilizados pelas pessoas com deficiência intelectual e Síndrome de Down, desde espaços de lazer, cultura, esportes, educação, saúde e assistência social. Parceira da  Fundação FEAC, a Fundação Síndrome de Down é quem executa o projeto e traz sua expertise de atuação para atender o público por meio de diversas metodologias. A equipe da Fundação FEAC também contribuiu com a identificação da região graças a dados censitários que indicam grande concentração de pessoas com deficiência e alta vulnerabilidade social na localidade.

“Esse mapeamento trouxe um resultado, tanto em forma de dados quantitativos quanto de fluxos, de onde as pessoas saem, para onde elas vão e do uso que as pessoas fazem da cidade. E a gente notou que uma parcela das pessoas com deficiência intelectual fica restrita muito na residência ou no seio da família e sem muitos amigos fora do círculo familiar. Foi daí que surgiu a proposta de um projeto em que uma equipe vá até a residência das pessoas e promova aos poucos a inclusão no território em que ela vive”, explicou Marina Moreto, coordenadora técnica do projeto.

“O projeto Território de Todos foi inspirado em um dos serviços previstos na política de assistência social. Enquanto projeto piloto propusemos o recorte na pessoa com deficiência intelectual, devido às barreiras atitudinais muito presentes para este público. Propor soluções para que possamos alcançar uma sociedade para todos é a proposta do MOB”, revelou Regiane Fayan, líder do Programa MOB da Fundação FEAC.

“A Fundação Síndrome de Down acredita que pode proporcionar melhorias em seu próprio trabalho através das articulações com a rede intersetorial entendendo que a inclusão acontece quando a pessoa participa ativamente de sua comunidade, ou seja, quando diminuem ou desaparecem as barreiras para sua circulação e uso em seu território dos serviços locais de saúde, educação, lazer, cultura, assistência social, mobilidade, etc”, avaliou Ana Ligia Agostinho, responsável pela Comunicação da Fundação Síndrome de Down.

Impactos significativos e inclusão

Com uma equipe composta de cinco educadores sociais, um psicólogo, uma assistente social e uma coordenadora, o Território de Todos traz pela primeira vez para a cidade uma experiência única. “Esse é um projeto inovador, de ter um atendimento em domicílio, de pensar o território da pessoa junto com a família e por não ter limite de idade”, apontou Fernanda Baccan, assistente social.

A equipe explica que o projeto atende  uma demanda latente com oportunidades para a pessoa com deficiência e para cuidadores. “A gente percebeu que as pessoas sentem falta de algo assim, pois geralmente os cuidadores estão muito sobrecarregados e passam boa parte do tempo dedicados às pessoas cuidadas. Esse serviço é uma possibilidade de crescimento para a família, de autonomia para a pessoa assistida e de uma forma diferente e mais qualificada de viver”, esclareceu André Padoveze, psicólogo.

O fato de muitas pessoas com deficiência encontrarem diversas barreiras reduz a frequência de atividades, aumentando a permanência em casa. “É muito bom para as pessoas que estão afastadas do convívio social. As pessoas com deficiência intelectual em sua maioria evadem da escola e ficam bem reclusas ao espaço da família. Quando a gente chega elas estão eufóricas e ansiosas por poder ampliar essas relações, conhecer pessoas e criar vínculos”, avaliou Janaina Moraes, educadora social.

O interesse é comum em todas as famílias e pessoas atendidas, avalia o time. Além disso, na maioria da vezes as famílias desconhecem seu território, sua praça e  atividades que acontecem no espaços. “Então, o educador social faz essa mediação entre o usuário, a família, território e equipe técnica que acompanha a dinâmica familiar”, revelou Fernanda.

O primeiro passo é criar vínculos e estabelecer confiança a partir da escuta. “É uma relação tanto com o usuário, quanto com a família, porque ela acaba superprotegendo, o que impossibilita a criação de autonomia”, conta Janaína. “E essa inclusão tem um espectro largo para a pessoa com deficiência. É tanto voltar à escola, frequentar uma oficina artística, ou passar a frequentar a praça do bairro ou andar de ônibus sozinha”, esclarece Marina.

A equipe de educadores realiza uma série de visitas com atividade lúdicas e pedagógicas com os usuários, coletando informações sobre o que a pessoa gosta de fazer, sua história de vida, depois agenda passeios e visitas a diversos locais, além de realizar também encaminhamentos para os serviços próximos no próprio território. “A ideia é que aos poucos a pessoa se sinta confiante e segura para ir por conta própria frequentar os espaços da cidade”, afirma Marina.

“Da primeira experiência em atendimento com um jovem adulto já estamos colhendo bons resultados. Ele já começou a sair de casa e está interessado no mercado de trabalho. Está tendo uma outra perspectiva de vida”, conta Fernanda Baccan.

As pessoas atendidas chegam por meio de encaminhamentos da rede socioassistencial, como Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Centros de saúde, hospitais e serviços de saúde, de educação, programas de mercado de trabalho, entre outros. Apresentações do projeto nas escolas também estão previstas a fim de gerar novas demandas.

Romper barreiras

Neste processo estão sendo encontradas diversas barreiras. Uma dificuldade muito comum é relacionada à educação, quando por exemplo, muitas pessoas com deficiência não conseguem completar o ensino médio, ou mesmo quando finalizado têm dificuldade de ler e escrever. Sem contar a dificuldade do convívio na escola, por preconceitos e não aceitação. A Coordenadora do projeto aponta que a estrutura da sociedade que é concretizada na cidade é excludente, desde “questões simples como tomar o ônibus quanto a capacitação dos professores dentro da escola, o entendimento de uma fila de espera no centro e saúde”.

“A partir do momento que a gente entende que o acesso à cidade pelas pessoas está sendo prejudicado por falta de políticas públicas e que para conseguir fortalecer e qualificar a condição de vida das pessoas é necessário sair da nossa zona de conforto a gente decide alcançar as pessoas dentro das suas próprias casas”, indicou André Padoveze, psicólogo.

E por conta desses fatores limitantes, a proposta também é conseguir capacitar serviços e pessoas. André explica que as pessoas com deficiência não precisam ser atendidas em lugares específicos. “A ideia é sair disso, da educação especial, por exemplo. São trabalhos direcionados, mas também caracterizam uma segregação. A ideia é a gente conseguir criar circunstâncias de capacitar espaços e famílias para assegurar que as pessoas com deficiência estejam na escola, nos serviços de convivência, de todos, não específicos. São as duas coisas, serviços  e pessoas aptas a darem condições de acolhida para todos”, concluiu.

Sobre o Programa MOB

O Programa Mobilização para Autonomia (MOB) é uma iniciativa da Fundação FEAC que investe em soluções com o objetivo de assegurar a inclusão efetiva das pessoas com deficiência. Se dedica a romper barreiras para que as pessoas com deficiência possam participar da sociedade e exercer plenamente seus direitos.

Fonte: https://www.feac.org.br/autonomia-e-inclusao-da-pessoa-com-deficiencia-no-territorio/

Judith Scott: a arte bruta e pessoa com deficiência intelectual

e9eb87c0e5f81feb09491342e1d576daAo considerar os artistas aqueles que, pela experimentação estética, pretendem comunicar algum conteúdo à seu público – conteúdo esse aberto a diversas interpretações -, como explicar a expressão de pessoas que, sem a intenção de se autointitularem artistas, possuem uma produção de alta qualidade estética? Aliás, quem diz o que é e não é arte? Quais são os locais apropriados para o que é nomeado arte?

Esses questionamentos e o encontro com as produções criativas de pacientes psiquiátricos fizeram com que o artista plástico francês Jean Dubuffet criasse o termo Arte Bruta. Art Brut (em francês) se trata de uma produção que afirma-se por rejeitar o que é dominantemente considerado arte e é realizada por pessoas que, sem formação artística, deixam emergir, espontaneamente, suas possibilidades criativas.

Esse parece ser o caso de Judith Scott. Judith, falecida em 2005, aos 61 anos, era diagnosticada com a Síndrome de Down e perdeu a audição na infância devido a febre escarlate. Por ser compreendida como uma criança ineducável, foi encaminhada pela família para uma instituição especializada de tempo integral. Já adulta, é retirada da instituição por sua irmã gêmea Joyce e passa a frequentar o Creative Growth Art Center, em Oakland, Califórnia, onde começa uma intensa jornada de expressão e criatividade.

Essa palestra pretende criar um paralelo entre história da arte, o interesse pela expressão criativa daqueles não considerados artistas e inclusão cultural pela expressão criativa.

Palestrante: Agda Brigatto. Doutoranda em Saúde, Interdisciplinariedade e Reabilitação – FCM/Unicamp