A importância da relação familiar no aprendizado e desenvolvimento motor da criança


A importância da relação familiar no aprendizado e desenvolvimento motor da criança

As relações e interações familiares e sociais são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor de todas as crianças. O desenvolvimento se inicia na concepção, envolve o crescimento físico, a maturação neurológica, comportamental, cognitiva, social e afetiva. (Organização Pan-Americana de Saúde, 2005. p. 11).

O desenvolvimento pode ser observado ao longo do tempo e ser notado pelas constantes mudanças nos pensamentos, comportamento e estrutura das pessoas, essas transformações ocorrem a partir das influências biológicas e principalmente com as vivências, trocas e interferências ambientais (Betzen, 2012. p. 24). 

O desenvolvimento motor é caracterizado por mudanças relacionadas à postura e ao movimento corporal e este é um processo de variadas e interligadas alterações. Estão envolvidos os aspectos de crescimento e maturação dos aparelhos e sistemas do organismo, além das experiências e oportunidades as quais somos expostos. Esse processo repercute não só nos movimentos das pessoas, mas também nos aspectos sociais, intelectuais e culturais. Essa perspectiva vem de encontro com a possibilidade de destacar que a condição física e o desenvolvimento motor também está relacionado com aspectos emocionais. Isso quer dizer que, na relação com o outro, a transferência de valores e sentimentos estão completamente associadas à segurança e ao lugar de referência que dará a estrutura emocional inicial, importante para que a pessoa possa, a partir daí, descobrir e explorar seus próprios recursos e continuar nas tentativas de explorar seus aspectos físicos. 

É também na relação, seja do profissional como também da família, que, diante dos fatos ocorridos e dos testemunhos de alguns familiares neste momento de isolamento social, que percebemos a importância de validar e continuar buscando a interação e a estimulação pela via da credibilidade, da emoção e da transferência, objetivando os aspectos físicos e do desenvolvimento motor, a partir do ato da estimulação, buscando o equilíbrio e a capacidade de ser flexível de acordo com as possibilidades e circunstâncias.

Mesmo se tratando de desenvolvimento motor, temos visto que todo e qualquer processo de desenvolvimento e aprendizado, que envolve o ser humano, requer motivação, entusiasmo, interação, flexibilidade, prazer além de considerar cada esforço que, por muitas vezes, é necessário para manter o equilíbrio e a articulação das ações com as emoções.

Outra questão importante é pensar a neuroplasticidade, a qual define como a capacidade cerebral de reorganização dos neurônios e circuitos neuronais, que são moldados por meio de aprendizagens e vivências, é mais ativa durante a primeira infância (0-5 anos). Esta afirmação reforça a importância das vivências, exploração e oportunidades durante essa fase, o que interferirá tanto na saúde física quanto na mental, visto que essas condições estão relacionadas não só ao espaço físico em si, mas também às oportunidades para a prática de vivências diversas, junto com o encorajamento, as orientações e também com os limites.

Desde o nascimento a família naturalmente pode contribuir para o desenvolvimento motor, isso acontece através de um ambiente que proporciona estímulos sensoriais e motores durante o cuidar do bebê, por exemplo: quando o bebê é pego no colo, aninhado e quem o está carregando conversa com ele. 

A criança com deficiência intelectual não deve ser poupada dessas oportunidades e experimentações, pelo contrário, deve ser ainda mais encorajada a desenvolver suas potencialidades e habilidades. 

A família tem um papel importante no contexto das inter relações desta criança com deficiência, por isso a qualidade do ambiente familiar e suas relações estabelecidas contribuem na evolução do seu desenvolvimento.

As experimentações e vivências que a criança irá explorar e aprender em seu ambiente familiar devem ser de maneira mais natural possível, os estímulos proporcionados serão de acordo com a realidade de cada família, mas todo ambiente pode ser muito rico em estímulos naturais, basta a criança ser encorajada a permitir que ela explore esse ambiente na qual  está inserida. Os estímulos proporcionados em casa podem ser bem simples, como por exemplo, a utilização dos móveis da casa para a criança que está aprendendo a ficar em pé se apoiar e assim ser encorajada a dar os primeiros passos, os estímulos sensoriais táteis que podem ser realizados com caixas de ovos, tapetes de banheiro, a grama do jardim ou a terra do quintal e o próprio chão  da casa, onde será uma estratégia fantástica, pois a criança se sentirá livre para explorar o espaço à sua volta e sem contar com a própria confecção de brinquedos feitos de materiais recicláveis como tampas, embalagens de amaciante, potes diversos auxiliando em atividades de ação e reação e de coordenação motora mais fina. Assim uma infinidade de ideias poderão surgir e tornar o ambiente cada vez mais enriquecedor.

Temos vivido em tempos em que a sociedade tem estabelecido formas de categorizar as pessoas e assim os atributos que são comuns para os membros de cada categoria. Muitas vezes as pessoas são definidas  por alguma característica, que a oculta da sua verdadeira identidade. Assim, é de extrema importância na estruturação do Eu e da dimensão social do mesmo, a vivência em lugares e as relações sociais baseadas e condizentes com o tempo, com a realidade e com a história de cada pessoa, respeitando a cultura e o ambiente ao qual ela faz parte.

 

Autoras: Juliana Medina e Karina Menezes. Ambas fisioterapeutas na Fundação.

 

BETZEN, Warren R. Guia Para Observação e Registro do Comportamento Infantil. 6 ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE. Manual Para Vigilância do Desenvolvimento Infantil no Contexto da AIDPI. Washington, 2005.

 MONTOBBIO, E.; LEPRI, C. Quem eu seria se pudesse ser: a condição adulta da pessoa com deficiência intelectual. Campinas: Copyright, 2007.

GOFFMAN, E. Estigma – Notas sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada. 4.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

Link acessado em  21.07.2020: http://www.enciclopedia-crianca.com/funcoes-executivas/segundo-especialistas/funcao-executiva-e-desenvolvimento-emocional

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